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“Efeito flácido”: por que o uso de canetas emagrecedoras sem treino pode ser perigoso

Estudos indicam que até 30% do peso eliminado com análogos de GLP-1 pode ser tecido muscular
14/03/2026 - 07:32
Veja lista de canetas emagrecedoras barradas no Brasil. (Foto: Imagem Ilustrativa/Canva/Reprodução)
(Foto: Arquivo)

A promessa de perder 15 ou 20 quilos em poucos meses transformou os análogos de GLP-1/GIP, as populares “canetas emagrecedoras” como a semaglutida e a tirzepatida, em um fenômeno de consumo no Brasil. No entanto, o que aparece na balança pode esconder um efeito colateral silencioso e perigoso: a perda acelerada de massa muscular.

Especialistas alertam que o emagrecimento “a qualquer custo” compromete a saúde metabólica. Estudos recentes indicam que entre 20% e 30% da perda total de peso em usuários desses medicamentos pode envolver tecido muscular, e não gordura.

O “roubo” metabólico

O mecanismo desses remédios envolve o retardamento do esvaziamento gástrico e o aumento da saciedade, gerando um déficit calórico. Sem o suporte adequado, o corpo busca energia onde é mais fácil, ou seja, nos músculos.

“A perda de peso induzida pelos análogos de GLP1/GIP não é composta apenas por gordura. Uma parcela relevante pode vir da massa magra, e isso exige atenção redobrada”, explica o nutrólogo Dr. Rennan Bertoldi. Segundo ele, o déficit energético sem suporte nutricional resulta em fadiga e deficiência de nutrientes, comprometendo a saúde a médio prazo.

Força como prioridade

A perda muscular impacta diretamente a longevidade e a funcionalidade do corpo.

“Perder músculo não é apenas uma questão estética. É perder força, autonomia e capacidade funcional, o que aumenta o risco de quedas e lesões, especialmente no longo prazo”, destaca Henrique Noal, coordenador técnico da Ancre Gym. De acordo com o profissional, o treino de força precisa é o maior aliado de quem usa a medicação, uma vez que o exercício de carga sinaliza ao corpo que aquele músculo é essencial e não deve ser “queimado” como fonte de energia.

O risco da automedicação e das compras online

A facilidade de adquirir esses medicamentos, muitas vezes sem receita ou via internet, acende o sinal vermelho na comunidade médica. O uso isolado, sem o tripé medicação-dieta-treino, tende a entregar resultados inferiores aos vistos em estudos clínicos monitorados.

“Quando bem indicados para pacientes portadores de sobrepeso/obesidade, há benefícios claramente comprovados por diversos estudos científicos. Contudo, a segurança e o bom resultado do medicamento em todos eles, foi um resultado conjunto de dieta estruturada com exercício físico associado. Isso reforça que o uso isolado do medicamento tende a ter resultados potencialmente piores dos resultados dos estudos, incluindo a perda da massa muscular”, salienta Bertoldi.

Como minimizar os riscos:

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