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Além da barriga inchada: os sintomas neurológicos da doença que atinge 2 milhões de brasileiros

Condição autoimune atinge 2 milhões de brasileiros, mas falta de informação faz com que muitos tratem sintomas isolados sem descobrir a causa real
10/05/2026 - 12:18 - Atualizada em: 10/05/2026 - 12:18
(Foto: Banco de Imagens)

O diagnóstico tardio é um dos maiores desafios da doença celíaca, uma condição autoimune desencadeada pelo glúten que afeta cerca de 2 milhões de brasileiros. No entanto, o dado mais alarmante da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra) é outro: 80% das pessoas que convivem com a doença ainda não sabem que a têm.

A condição, que ganha visibilidade neste mês com a campanha Maio Verde, é descrita por especialistas como “silenciosa” por ser parecida outros problemas de saúde. O gastroenterologista Nelson Cathcart Jr., de Florianópolis, viveu os dois lados da moeda: o do médico que atende a demanda e o do paciente que recebeu o diagnóstico apenas em 2022.

“Vejo pacientes de todas as idades com sintomas muito diferentes no consultório. Alguns têm queixas intestinais, outros não têm nada no intestino”, explica o médico. Segundo ele, o diagnóstico pode ocorrer inclusive em idosos acima de 70 anos, revelando que a sensibilidade ao glúten pode permanecer oculta por décadas sob o disfarce de outras enfermidades.

Sintomas que vão além do intestino

Embora a distensão abdominal, diarreia e constipação sejam os sinais clássicos, a doença celíaca é uma condição sistêmica. A lista de sintomas “atípicos” inclui:

“Nem sempre o paciente imagina que o glúten pode ser o responsável e muitos colegas também não fazem essa conexão. Uma enxaqueca, uma anemia ou uma infertilidade podem ter relação com a doença celíaca”, alerta Cathcart Jr. Por ser autoimune, a doença costuma vir acompanhada de outros quadros, como tireoidites e doenças reumatológicas. Se não tratada, a inflamação crônica aumenta o risco de complicações graves, como linfoma e câncer no intestino delgado.

O desafio da dieta e o “perigo oculto”

Atualmente, o único tratamento eficaz é a exclusão total do glúten (proteína presente no trigo, centeio e cevada). O médico ressalta que a adaptação exige um olhar clínico sobre rótulos. “O shoyu, por exemplo, é um produto comum, mas pode ter trigo na composição. Para quem é celíaco, isso faz toda a diferença”, pontua.

O Maio Verde concentra duas datas importantes: no 16 de maio é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e no dia 20 de maio o Dia Nacional dos Celíacos. O objetivo das campanhas é cobrar políticas de inclusão e garantir que o diagnóstico não seja uma jornada de décadas para o paciente.

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